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Reichstag

Por: Viaje Mais/Ricardo Ribas

Bem próximo a Nikolaiviertel existem duas atrações: a primeira é a Berliner Dom, a catedral da cidade. A igreja foi erguida para substituir uma capela imperial que havia no mesmo lugar, demolida por ordem do imperador Guilherme II, e sua construção terminou em 1905. A razão original da construção era competir visualmente com a Basílica de São Pedro, em Roma. Entretanto, os berlinenses não gostam muito do seu estilo barroco, com influências do renascimento italiano. Outra curiosidade em relação à catedral é que ela abriga, em seu interior, os túmulos de mais de 80 membros da família real prussiana. A segunda, também próxima, é a praça mais famosa da cidade, a Alexanderplatz. Como ocorreu em praticamente toda Berlim, o local passou por diversas fases de revitalização. Aárea era utilizada como mercado de gado, no início do século 19. Em uma dessas fases, quando a Alexanderplatz estava dentro do território de Berlim Oriental, foi erguida uma enorme torre de televisão, a Fernsehturm, segunda mais alta estrutura da Europa, com 368 metros de altura. Inaugurada em 1969, esse marco arquitetônico, que pode ser visto de várias partes da cidade, é um dos locais mais visitados de Berlim e um dos símbolos da cidade. Contrapondo a seu estilo moderno, a igreja Marienkirche, situada ao lado da torre, exibe um estado de conservação impecável para uma construção com mais de 750 anos. Postadas do outro lado da praça, como para lembrar o passado comunista da Alexanderplatz, estão as estátuas de Marx e Engels.

o Anoitecer na Catedral

Aliás, a parte leste de Berlim reserva atrações muito interessantes, principalmente após a enorme injeção de dinheiro que se seguiu à reunificação alemã. É o caso do Hackesche Höfe, um conjunto de edifícios em estilo art nouveau agrupados ao redor de oito pátios internos e interligados, fervilhando de bares, restaurantes, galerias, pequeno comércio, cinema, teatro e também residências. Os andares superiores dos prédios que circundam os pátios são apartamentos residenciais em sua maioria. Somente os andares térreos são destinados ao comércio. Para quem não tem um senso de direção muito bom, é fácil se perder entre as passagens pelos pátios e demorar um pouco para retornar às ruas externas. Uma vez fora do labirinto, pode-se perceber uma coisa que não existe no lado oeste da cidade: os bondes, ou como se diz em alemão, strassenbahn. Esses pequenos trens amarelos percorrem trilhos que passam pelas mesmas ruas trafegadas pelos automóveis, disputando espaço e preferência com eles. Tudo com muita disciplina, claro. O sistema de transporte urbano coletivo em Berlim é extremamente organizado e eficiente. Além dos ônibus, existem três tipos de trens urbanos: o metrô, o trem de superfície e o bonde, ou U-Bahn, S-Bahn e Strassenbahn, respectivamente. Com eles, pode-se chegar a qualquer parte da cidade com relativa rapidez.

Parlamento Alemão

O Reichstag

Muito próximo dali está o Reichstag, onde funcionava o parlamento alemão. Inaugurado em 1894, o Reichstag foi palco de vários acontecimentos históricos, inclusive o incêndio que destruiu o prédio em 1933, planejado e executado pelos nazistas. Após os anos de Guerra Fria e a reunificação alemã, com Berlim voltando ao status de capital nacional, o Reichstag voltou a sediar o parlamento, ou Bundestag, em 1999. Para isso foi submetido a uma extensa reforma, inclusive com a adição de uma cúpula de vidro sobre seu teto. A cúpula, idealizada pelo famoso arquiteto britânico Sir Norman Foster, é aberta ao público e é um dos lugares mais visitados de Berlim. Possui, em seu centro, uma coluna coberta por espelhos e uma rampa em espiral que vai até o topo, de onde se pode ver boa parte da região central da cidade. É uma obra de arquitetura e engenharia admirável, sendo um programa imperdível. Existem outros edifícios ao lado do Reichstag, que compõem o Bundestag. Todos eles foram inaugurados recentemente e possuem um padrão arquitetônico bastante arrojado, privilegiando o uso do aço, vidro e concreto aparente. Dentre eles destacam-se o Paul Löbe Haus e o Marie Elisabeth Lüders Haus. O primeiro abriga os escritórios dos parlamentares e outros funcionários do parlamento. No segundo encontra-se a Biblioteca e os Serviços de Pesquisa e Referência do Bundestag. Os dois edifícios estão em margens opostas do Rio Spree, sendo conectados por uma passarela de aço que atravessa o rio, e por túneis subterrâneos. História, guerra e reconstrução estão sempre presentes em Berlim, seja na memória de seus habitantes, seja nos monumentos e construções ao redor da cidade. Dentre os monumentos dedicados a lembrar os berlinenses dos horrores que um conflito armado pode provocar, o mais incisivo é a Igreja Memorial Kaiser Guilherme II, ou Gedächtniskirche. A igreja, de estilo neoromano, foi severamente atingida por bombardeios aéreos em 1943, mas sua estrutura de sustentação não sofreu abalos críticos. Em vez de ser demolida, foi mantida em sua aparência semidestruída, como testemunha inanimada de tempos obscuros, que os berlinenses jamais vão querer reviver, assim como não vão querer reviver o passado nazista, que tanto constrangimento ainda provoca nos alemães. Um dos ícones e uma das principais obras executadas pelo governo do Terceiro Reich foi o Estádio Olímpico, construído para ser a sede da Olimpíada de 1936.

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