Nova Zelândia

Nova Zelândia

Por: Viaje Mais/ Raíra Venturieri

A maioria das pessoas sabe muito pouco sobre a Nova Zelândia. E o que mais se ouve falar a respeito do país envolve fauna e flora únicas, predomínio de tribos indígenas e predileção (delas e de todos que passam por lá) por adrenalina. Por isso, a imagem que se tem da pátria dos maoris, população nativa da Nova Zelândia, é a de um lugar completamente diferente de qualquer outro. E é exatamente isso. Engana-se quem pensa que a Nova Zelândia é uma extensão da Austrália, com história, clima e tudo mais muito semelhante. Nem perto disso.

Enquanto a Austrália é um país muito mais árido e quente, a Nova Zelândia é temperada e úmida. Com suas particularidades, claro, como florestas de características tropicais em meio a picos nevados e vulcões. As duas ilhas que compõem o país, a do Norte e a do Sul, foram descobertas pelo holandês Abel Tasman em 1642. Mas somente em 1769 elas seriam colonizadas e reclamadas para a coroa britânica por seu redescobridor, James Cook.

Mount Cook

Suas terras têm uma natureza bem especial, por isso quem as visita encontra praias, montanhas, campos, vulcões, calor, frio, adrenalina e tranquilidade. Se bem que, se o que você procura é esta última, nem vale a pena ir tão longe. O maior atrativo da Nova Zelândia é a vida radical. Apesar de ser pequeno para os padrões brasileiros (as estreitas ilhas têm um máxi­mo de 300 km de largura e a do Sul, mais longa, não chega a 1.000 km de comprimento), o país merece uma visita de pelo menos duas semanas.

A maioria dos roteiros começa em Auck país, com cerca de 1,3 milhão de habitantes. Apesar de não ser a capital (que é, na realidade, Wellington), Auckland é a cidade neozelandesa mais conhecida no resto do mundo por concentrar centros comerciais, galerias modernas e dezenas de pubs. Ela é especialmente ajardinada para uma metrópole, enfeitada ainda por dois vulcões extintos, o One Tree Hill e o Mount Eden. Em Auckland também se percebe claramente a estreita ligação do povo com o mar, com um dos maiores índices de barcos por habitante do mundo. Vale a pena passar ao menos um dia inteiro na cidade, caminhando pelas ruas floridas, sem deixar de conhecer o Auckland Museum, que possui um riquíssimo acervo de arte polinésia e maori.

A partir de lá, pega-se uma estrada rumo ao sul e, em poucos minutos, o visitante se depara com um dos lugares mais bacanas da viagem: o Parque Nacional Tongariro, com seus inúmeros vulcões, muitos deles ainda ativos. Então, começa-se a notar uma paisagem muito típica do país. Nada a ver com montanhas ou florestas, mas sim do animal predominante naquelas terras (muito mais do que o homem): as ovelhas. São quase 40 milhões delas, cerca de 12 para cada habitante da Nova Zelândia.

Mas não se engane pela aparente paz dos campos neozelandeses. O país nada mais é do que a parte exposta de uma enorme cordilheira vulcânica sob o Oceano Pacífico. É por isso que os maoris dizem que suas terras têm alma de fogo. E, não bastasse a natureza agitada e perigosa, o povo sempre encontra um jeito de tornar as coisas ainda mais quentes.

Milford Track

Adrenalina maori

A Nova Zelândia é muito conhecida pelos esportes de aventura. E não é à toa. O gosto pela adrenalina por lá é tão grande que o maior herói nacional, A.J. Hackett, tornou-se célebre por um motivo que o classificaria como louco em outros países. Ele inventou o bungee jumping, esporte no qual o praticante se joga no vazio a partir de algumas dezenas de metros segurado apenas por uma corda elástica presa às pernas. Hackett possui duas virtudes muito louvadas na Nova Zelândia: pioneirismo e coragem.

Essas qualidades, aliás, caracterizam a maior parte dos neozelandeses conhecidos mundialmente, como Edmund Hillary, o primeiro homem a escalar o topo do Everest, e Bruce McLaren, criador da famosa escuderia da Fórmula 1. A Nova Zelândia é terra não apenas do criador do bungee jumping, mas também dos mais famosos locais para a prática. A cidade de Queenstown, na Ilha do Sul, é a mais radical do país e abriga dois conhecidos bungees, o da Skipper Bridge, com 102 metros de altura, e o da Kawarau Suspension Brigde, de 43 metros, ope­rado pelo próprio Hackett.

Mas não pense que pular de uma ponte para o nada é a única ousadia que você pode cometer em solo (e ar) neozelandês. As formações naturais nas ilhas permitiram o surgimento de modalidades bem particulares. O jet boating, por exemplo, é um dos passeios de barco mais radicais do mundo. O barco, equipado com um propulsor de ar, navega em alta velocidade – é como se fosse um jet ski com espaço para 16 pessoas. Não bastasse a velocidade, que chega fácil a 80 km por hora, os condutores são igualmente impetuosos e não poupam nenhum visitante de seus destemidos cavalos-de-pau na água, precedidos pelo sinal previamente combinado de “segurem firme”. Uma loucura – e todo mundo adora.

Isso sem falar no caving, modalidade em que o praticante explora cavernas escuríssimas com direito a rapel em cascatas, esfolamentos e apertos infindáveis. Sim, é tão perigoso quanto parece. Então, informe-se antes de ir na onda dos aventureiros maoris. Esportes mais tradicionais, como rafting e trekking, também são facilmente encontrados por lá.

Auckland

A terra em chamas

A 235 km de Auckland, a cidade de Rotorua e toda a região que a circunda são mais uma atração especial. Ao norte do lago Taupo, o maior do país, vapores emanam da terra, tornando-se cada vez mais densos à medida que o visitante se aproxima da cidade. Rotorua é dominada por lagos de águas ferventes, minas borbulhantes, gêiseres e um permanente odor de enxofre – uma paisagem tão surreal que é surpreendente ver pessoas e ovelhas convivendo com os vapores com tamanha naturalidade.

A cidade é bem turística e oferece alguns parques geotérmicos onde é possível conhecer essas estranhas formações de perto – como é o caso do Wai-O-Tapu. Na cidade, é bacana também experimentar a comida de algum restaurante típico, onde além de bons preços, o visitante aprende um pouco sobre a cultura maori e ainda pode levar para casa algumas peças de artesanato bem interessantes, feitas em madeira entalhada.

Partindo de Rotorua, ainda é possível pegar um 4x4 e rumar à cratera do extinto Vulcão Tarawera. Até pouco tempo ele protagonizava explosões violentas, como a de 1886, que destruiu os Pink & White Terraces (reduto de piscinas naturais e vistas espetaculares), considerados até então a oitava maravilha do mundo. Hoje ele já não oferece perigo e a visão que se tem da borda da cratera, tanto do vulcão quanto da paisagem ao redor, é arrepiante.

Auckland

A segunda metade

Se você já está impressionado com a particular natureza neozelandesa, saiba que tudo isso é só o que você encontra na Ilha do Norte. A do Sul é maior, menos povoada e mais radical. Além de Queens-town, já citada aqui como a meca dos esportes de aventura, a ilha tem outra cidade principal: Christchurch. Às margens do Rio Avon, a cidade oferece algumas atrações bem mais adequadas para quem não pretende descobrir até onde sua adrenalina é capaz de chegar.

Lá, o visitante pode se divertir em um enorme cassino com 350 caça-níqueis e diversos jogos ou no centro comercial da Colombo Street, onde há desde lojas de artesanato (a maioria de artigos orientais) até grifes internacionais. Como o dólar neozelandês é mais barato que o americano (1 dólar americano equivale a 1,49 neozlandeses) é possível fazer bom negócio até nas lojas mais caras.

A trilha pelos caminhos da comprida Ilha do Sul é surpreendente. O território em toda a sua extensão é cortado por uma cordilheira de picos nevados, a Alpes do Sul, e nela é possível visitar o ponto mais alto do país, o Monte Cook, com 3.754 metros em relação ao nível do mar. Isso sem falar no litoral, especialmente a região de Kaikoura, a mais apropriada para a apreciação de baleias.

Você deverá levar uns bons dias para cruzar a ilha, até porque a vista é tão bela que vai ser difícil não parar a cada 10 minutos para tirar fotos. Durante o percurso para o sul, as paisa-gens vão ganhando ares temperados, com algumas surpresas, como os glaciares Fox e Franz Joseph, que cortam florestas de características tropicais e criam a inusitada mistura de vegetação e clima bem distintos – o gelo no mesmo espaço da exuberante mata verde.

E então, a 500 km de Christchurch, chega-se à Queenstown. É lá que o visitante aventureiro encontra tudo o que procurava na Nova Zelândia. Além das inúmeras atividades radicais, a agradável cidade é ponto de partida para imperdíveis passeios de barco nos fiordes de Fiordland e para a Milford Track, considerada a trilha mais bela do planeta. Em Queens-town você vai provar experiências tão marcantes que, independente da quantidade de aventuras que tiver coragem de fazer, vai sentir que a vida longe da Nova Zelândia é um tédio sem fim.

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